Tenho a doce recordação de infância de ir à praia e brincar com as conchas, paus e pedras que encontrava na areia.
Hoje vi crianças tão pequenas como eu era, tão divertidas como eu estava, mas brincavam com fragmentos de plástico.
Estas crianças, as nossas, minhas crianças, vão crescer para serem adultos com as doces recordações da sua infância em que brincaram com os isqueiros, copos, tampas, garrafas, plásticos coloridos que encontraram na areia.
E a praia perfeita das suas recordações de infância será assim, com água, areia e plástico. Porque nunca a conheceram de outra forma.
A ASPEA – Associação Portuguesa de Educação Ambiental e o Kit do Mar (EMEPC) são a Comissão Organizadora da XXIX Conferência da Caretakers of the Environment International, “Connecting Minds, creating the future for the oceans”.
Esta conferência destina-se a professores e alunos do ensino secundário, e irá decorrer nas instalações do INATEL de Oeiras e na Escola Secundária Sebastião e Silva, de 28 de Junho a 4 de Julho de 2015.
Com esta conferência espera-se reunir um grupo aproximado de 300 participantes nacionais e internacionais de cerca de 25 países.
A Conferência será um fórum facilitador da articulação de actividades interdisciplinares e troca de dados internacionais, durante o qual as delegações nacionais e internacionais terão oportunidade de apresentar os projectos na temática da literacia dos oceanos desenvolvidos nos seus países, e tomar conhecimento das propostas, recursos e iniciativas desenvolvidas por Portugal na área dos Oceanos, de importância primordial e sobre a qual se torna urgente uma ampla comunicação, sensibilização e acção, integrando-se na Estratégia Nacional para o Mar 2013 – 2020.
A Conferência será ainda um espaço para a construção de laços de confiança, amizade e cooperação de pessoas de diferentes contextos culturais, propício para a promoção da paz e da harmonia entre os povos.
“A Associação Portuguesa de Educação Ambiental – ASPEA é uma Organização Não Governamental de Ambiente (ONGA), sem fins lucrativos fundada em 1990, e tem como objectivo principal o desenvolvimento da Educação Ambiental no ensino formal e não formal. Para levar a cabo este objectivo, várias estratégias/acções são levadas a efeito pelos membros da sua direcção e pelos seus sócios, nomeadamente:
uma conferência anual para professores e outros técnicos interessados na Educação Ambiental;
seminários e cursos de formação contínua de professores e de monitores de ambiente;
redes de escolas, fomentando a cooperação nacional e internacional;
desenvolvimento de recursos pedagógicos;
organização de saídas de campo e programas de verão para crianças/jovens;
cooperação com as autarquias;
divulgação das suas actividades e da educação ambiental em revistas da especialidade e através de apresentação de comunicação e participação em conferências nacionais e internacionais;
Será que virou moda a “guerra” contra o plástico? Será que há motivos e razões para este assunto estar cada vez mais presente nas preocupações dos ambientalistas e dos cidadãos que se questionam sobre isso?
Neste artigo, gostaríamos de partilhar alguns mitos e verdades sobre o plástico. O que aqui será escrito resulta da pesquisa de um cidadão comum que procura saber mais, dum cidadão comum que se questiona sobre o”plástico como problema ambiental”, e que ao descobrir apenas pretende alertar outros sobre o que encontrou e aprendeu.
Sejamos mais curiosos para questionar e aprender!
Não sabemos tudo, nem nunca o saberemos, mas se formos curiosos podemos aprender e saber mais. Não precisamos de “curso”, nem tão pouco de uma “licenciatura” de Ambiente, podemos aprender pesquisando, aprender partilhando com os outros que também “vasculham”, questionando quem entre nós está mais dentro desta ou daquela temática.
Comecem por questionar tudo o que aqui será dito, e procurem a vossa verdade. Tudo o que aqui será dito, pode e deve ser questionado. Podem comentar, acrescentar, desafiar, colocar duvidas, perguntas.
Se não soubermos responder, teremos toda a humildade de afirmar que não sabemos, mas também de dizermos vamos procurar saber mais. E aí sim, como seria perfeito, pois estaríamos a aprender em conjunto, em vez de apontarmos dedos e de nos criticarmos na nossa ignorância ambiental, que no fundo não é individual, mas colectiva, somos todos “ignorantes ambientais” de uma ou outra forma, ou será que não?
Estamos todos no mesmo barco, portanto que tal começarmos a vermos mais isso?
E não nos digam que não podemos ser todos mais curiosos, porque podemos sim. Hoje a informação e os outros estão à distância de um dedo, de um clique. Querer é poder!
Mitos e Verdades sobre o Plástico
1. O Plástico é Biodegradável?
Na verdade podemos passar horas a queimar as pestanas e vamos encontrar sempre opiniões diversas, vindas de diferentes fontes, uns dizem que sim, outros dizem que não, mas onde pára a verdade?
Ora bem, este é o maior mito, a chamada “publicidade enganosa” em que muitas industrias tentam convencer o consumidor de que oferecem produtos “verdes” e amigos do ambiente. Vamos falar de sacos plásticos oxi-biodegradáveis? O que a maioria dos supermercados talvez não saibam é que também estão a ser alvo de “publicidade enganosa”, pois “biodegradável” é uma casca de banana, ou será que não?
Percebendo melhor os conceitos Biodegradável e Oxi-Biodegradável
“Biodegradável – É decomposto pela ação de organismos vivos. O uso do termo geralmente pressupõe que os resíduos da decomposição não são tóxicos nem sofrerão bioacumulação. A maior parte do lixo de origem orgânica (papéis, tecidos de algodão, couro, madeira etc.) é biodegradável, e a maioria dos plásticos atuais não. (Dicionário Brasileiro de Ciências Ambientais)”
“Plástico oxibiodegradável ( o utilizado na maior parte dos sacos distribuídos pelos supermercados)– É aquele que recebe um aditivo para acelerar seu processo de degradação, mas não se decompõe em até seis meses. Não atende ás normas técnicas nacionais e internacionais sobre biodegradação. Portanto, não é biodegradável. Este plástico, apenas divide-se em milhares de pedacinhos. No fim do processo não desaparece, mas vira um pó que pode parar em rios, lagos e mares. Isso significa que nossa geração poderá beber involuntariamente plástico oxidegradável misturado à água! E mais: os fragmentos podem ser ingeridos por animais silvestres e animais de criações nas fazendas, causando sérios danos econômicos e ambientais. (Plastivida)”
E o termo “Bioplástico”? Sobre este tema informação não falta. Pesquisem sobre isso também!
2. Plástico é Tóxico?
Sim todo o plástico é tóxico, mas uns mais do que outros.
Precisamos reconhecer que há vários tipos de plásticos, da mesma forma que há vários tipos de papel, só que a família dos plásticos é bem mais extensa e complexa, e divide-se em duas: a família dos recicláveis, os termoplásticos, e a família dos não recicláveis, os termorígidos, família esta bem mais numerosa.
Dos que manuseamos no nosso dia-à dia, apenas 7 podem ser reciclados, e dentro destes existem uns que são mais tóxicos que outros. O que poucos de nós consumidores sabemos é quais são, o que significam estes símbolos e porque os devemos evitar, não só pela saúde do ambiente, mas também pela nossa saúde.
Que tal começarmos todos a ser mais curiosos e a olhar mais para os símbolos dos plásticos que manuseamos no dia-à dia? Desafio para a próxima ida às compras: Procurem o triângulo com um número dentro nos produtos de plásticos e decidam se os querem realmente levar para casa.
Pelo conhecimento talvez possamos começar por recusar pelo menos os mais “tóxicos”. A tabela abaixo já nos dá uma ideia.
Pequena nota: evite usar copo de plástico nas máquinas de café de moedas, pois estes são na maioria do tipo 6, e ao servir uma bebida quente em plástico, bem sabemos que estamos a ingerir toxinas.
E quais as consequências das dioxinas para a saúde ambiental? CANCRO no planeta? E o que acontece quando se queima plástico? Libertam-se SUPERDIOXINAS. E isso é bom ou é mau?
Milhares de animais morrem por ano por ingerirem plástico, e porquê? Os nossos oceanos já estão “plastificados”, basta abrir a janelinha do google e pesquisarmos sobre lixo marinho, ilhas de plástico, por exemplo.
3. O Plástico desaparece do Ambiente?
Embora possamos ter a ideia que sim, principalmente quando consultamos os tempos de degradação dos materiais no ambiente, em que por exemplo uma garrafinha de plástico tem como tempo 450 anos, um saco de plástico 10 a 20 anos, a verdade é que as conclusões não são conclusivas.
Vários estudos indicam mesmo que o plástico nunca desaparece do ambiente, apenas se degrada em partículas microscópicas, tornando-se no plástico “invisível”. Uma vez no ambiente libertam, não só dioxinas, substâncias altamente cancerígenas, como também metais pesados. Só sobre este tema teríamos muito e muito para estudar e analisar. Pesquisem sobre os microplásticos!
Para pensar:
O plástico mata, por ano, mais de 1,5 milhões de animais e aves marinhas. Dados que todos os anos aumentam. O Plástico já está na cadeia alimentar de toda a vida, não só de animais marinhos e aves, mas também humana. Devemos estar conscientes, que sim, nós também já comemos plástico, basta pensar que o peixe que chega à nossa mesa pode já estar contaminado.
Somos 7 mil milhões no mundo, e estima-se que por cada um de nós existem 700 pedaços de plástico nos nossos mares, e nesta história não há inocentes nem mãos limpas, é preciso estarmos conscientes desta realidade, somos todos, sem excepção, responsáveis.
4. Reciclar é Solução?
Reciclagem surge como solução para evitar a continua extracção de recursos naturais, e bem, surge também quando se começou a colocar aos mãozinhas na cabeça e a perceber que certos recursos começavam a “esgotar”, e quando se começa a perceber que o “Lixo” produzido pela nossa actividade humana tornou-se num dos maiores problemas ambientais, cujos impactos são hoje desastrosos e até incalculáveis.
Pois, só que no caso da reciclagem do Plástico, a história não é bem assim. Infelizmente, o plástico não tem a mesma história feliz que por exemplo o vidro e o alumínio que são infinitamente recicláveis. Uma garrafa de vidro ou alumínio pode sair e entrar no ciclo de produção um número infinito de vezes sem ser necessário recorrer à fonte natural, uma garrafa de plástico não tem a mesma sorte. Se for PET tem mais hipóteses, podendo ir até 3x, se for um saco plástico e com muita sorte, apenas uma, e nem todos são recicláveis, embora sobre esta questão surjam diversos pareceres entre ambientalistas e indústrias produtoras de sacos plásticos. E lembram-se da família complexa dos plásticos? Pois, nem todos são recicláveis, o que quer dizer, que a extracção de recursos naturais continua sempre a ser feita, e mais do que podemos pensar.
Na nossa ilusão podemos pensar que o acto reciclar é solução, no entanto, é importante que os que já reciclam saibam que ainda é pouco, e que não, não é a solução, pois antes do R, Reciclagem, há o R de Reutilizar, o R de Reduzir e o R de Recusar, e tantos outros R´s que já foram introduzidos para além dos 3. Qual a ordem correcta dos R´s afinal? A ordem dos Rs.
Questionando mais ainda …
O que fazer com o Plástico e qual a sua história?
E como é sempre mais fácil aprender a “brincar”, este pequeno vídeo já nos dá informação para questionar, pensar e agir.
E o que devia vir no início, talvez como o primeiro ponto?
De onde vem o plástico afinal?
De recursos naturais não renováveis: Petróleo e Água. E não está a posse do petróleo na origem de tantas guerras no mundo e tanto sofrimento humano?
Há quem evite comprar produtos no “mercado da China” alegando não querer compactuar com a exploração e escravidão da mão de obra barata e infantil, mas também há quem procure evite evitar plástico pelo mesmo motivo, pois quem nos garante que o petróleo que foi usado para produzir o saquinho que temos na mão não foi a causa de sofrimento de tantos?
A injustiça Social do Plástico
Van Jones nos alerta sobre esta questão “O lixo plástico atinge primeiro e com mais intensidade pessoas pobres e países pobres, mas todos sofremos as consequências independentemente do sítio onde vivemos ou do dinheiro que ganhamos.”
“(…) a raiz deste problema é a ideia do descartável. Se compreendermos a relação entre o que estamos a fazer ao envenenar e contaminar o planeta e o que fazemos às pessoas pobres, chegamos a uma conclusão muito inquietante, mas também muito útil: Para contaminar o planeta temos de contaminar as pessoas. Mas se criarmos um mundo onde não contaminamos pessoas, então não contaminamos o planeta.
Estamos na fase em que a união da ideia de justiça social à ideia de ecologia, nos permite finalmente ver que elas são, de facto, apenas uma ideia. E essa é a ideia de que não existe nada descartável. Não temos recursos descartáveis. Não temos espécies descartáveis. E também não temos pessoas descartáveis. Não temos um planeta e nem tão-pouco crianças que possamos deitar fora. Tudo é precioso.”
Não podemos nem devemos ser radicais nem fundamentalistas nestas questões, mas todos podemos ser mais conscientes, atentos e em pequenos actos fazer a diferença, pois cada um de nós pode fazer a diferença sim.
Depois de nos questionarmos sobre tudo isso, o que podemos concluir, e como podemos agir? Será que podemos mudar alguns dos nossos hábitos? Como?
1. Recuse e Reduza o consumo de produtos de plástico.
5. Recuse e reduza o consumo de produtos embalados em plástico.
6. Dê preferência a produtos embalados em vidro, que é infinitamente reciclado.
7. Recuse produtos de limpeza embalados em plástico, e altamente tóxicos para o ambiente, e faça os seus em casa, de forma mais sustentável, económica, rentável e amiga do ambiente. Veja algumas dicas nos links:
Não costumo usar os sacos de plástico descartáveis para os legumes ou frutas.
Não interessa se são pagos ou gratuitos. São poluentes, inúteis e poluem em grande quantidade as nossas praias.
Normalmente, coloco todos os frutos num saco grande reutilizável, tiro-os separadamente para serem pesados e depois volto a colocá-los no saco para levar para casa.
Alguns comerciantes ao princípio ficam um pouco surpresos mas depois até agradecem o dinheiro que eu lhes poupo em sacos (muitos).
Em casa, também evito ter de guardar ou reciclar os pequenos e inúteis sacos de plástico.
Não compre vegetais pré-embalados
Outro hábito importante é evitar comprar vegetais pré-embalados porque:
são mais caros (tem de pagar os custos de embalagem);
contêm produtos de qualidade mais fraca misturados (ainda ficam mais caros);
são usados como técnica de marketing para vender produtos a preços exagerados, por exemplo as embalagens de vegetais com vistosos autocolantes a destacarem que “só custam 1 EURO”, na realidade vendem o produto a um preço muito elevado ao Kg;
se mantiver os vegetais nas embalagens de plástico estragam-se mais depressa;
originam uma grande quantidade de resíduos de plástico completamente desnecessários;
os vegetais são frequentemente importados pelo que tiveram de ser conservados previamente a frio, o que se reflecte no seu sabor e durabilidade.
Compre a granel
Prefira sempre comprar vegetais a granel porque:
é mais barato;
escolhe os produtos ao seu gosto e com a melhor qualidade;
não causa a produção de resíduos plásticos;
são normalmente de origem nacional;
não enche a sua casa com lixo desnecessário.
Não precisamos de esperar por leis para começar a adoptar atitudes sensatas
Já somos capazes de distinguir sozinhos o certo do errado, ou não?